O EXÉRCITO BRASILEIRO NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Antecedentes
O aparecimento da figura carismática de Adolf Hitler no cenário político e o crescimento do nacional-socialismo foram conseqüências desse estado de coisas. A adoção de soluções violentas passou a ser abertamente pregada, de forma que já em 1936 o totalitarismo germânico era uma realidade e uma séria ameaça à paz mundial. Da militarização da Renânia ao ataque à Polônìa e à fulminante vitória alemã sobre o Exército franco-britânico, o mundo perplexo compreendeu que se encontrava no limiar de uma nova guerra mundial ainda mais violenta que a anterior.
A 1º de setembro de 1939, as divisões blindadas alemãs haviam marchado contra a Polônia. Pouco antes, em dezembro de 1938, os representantes dos povos da América reuniram-se em Lima numa conferência internacional buscando ativar a política de boa vizinhança preconizada pelo Presidente Franklin Delano Roosevelt.
As nações americanas, entre elas o Brasil, na tentativa de manter localizada a crise, assistiram passivamente à agonia da França e à desesperada resistência da Inglaterra. Assim, o governo brasileiro tentou reeditar a posição que assumira em 1914: a neutralidade, sob a prudente argumentação de que o engajamento na guerra comportava sérios riscos, além de ser notória a carência de meios militares e econômicos. O discurso do Presidente Getúlio Vargas, em 20 de outubro de 1939, enfatizava essa posição. O jogo de interesses em conflito, entretanto, e a responsabilidade moral pela defesa dos ideais de liberdade ameaçados pela violência nazi-fascista deixavam antever quão difícil seria conservar essa atitude.
As ações navais desencadeadas no dia 13 de dezembro de 1939 ao longo da costa uruguaia entre três belonaves britânicas, o Exeter, o Ajax e o Achilles, sob o comando do comodoro Henry Warwood, e o encouraçado alemão Admiral Graf Spee, sob o comando de Hans Langsdorff, e o final dramático no rio da Prata, quando a tripulação o afundou, às 20 horas do dia 17, após tentar o asilo que o governo uruguaio não concedeu, mostraram às nações do Novo Mundo que mesmo neutras elas deveriam estar prontas para enfrentar qualquer eventualidade.
Desenvolveu-se assim uma intensa atividade diplomática tendo em vista o fortalecimento do pan-americanismo. As conferências do Panamá, em 1939, de Havana, em 1940, e do Rio de Janeiro, em 1942, consolidaram a integridade continental. Na segunda delas assumiu-se o compromisso de que "todo atentado de um Estado não americano contra a integridade ou a inviolabilidade do território, contra a soberania ou a independência política de um Estado americano será considerado como ato de agressão contra os Estados que assinaram esta Declaração".
Definida a responsabilidade de todos pela segurança do continente, solidarizou-se o nosso governo com as deliberações, porquanto os princípios norteadores e os objetivos em causa estavam em plena concordância com as tradições jurídicas e pan-americanistas da nação brasileira.
Em 1941, a Alemanha e a Itália dominavam a Europa continental e o norte da África. Manifestou-se então o terceiro aliado – o Japão, que já desenvolvia política de expansionismo, estabelecendo a Nova Ordem na Asia. Em 7 de dezembro de 1941 forças aeronavais nipônicas atacaram de surpresa a Base Naval de Pearl Harbor, no curso de gestões diplomáticas entre os dois países, destruindo grande parte do poderio norte-americano no Pacífico. A guerra chegava às Americas. O chefe do governo brasileiro, Getúlio Vargas, dirigiu-se ao Presidente Franklin Delano Roosevelt informando-o de que o Brasil estava solidário com os Estados Unidos.
Ruptura de relações
Nossos navios costumavam viajar regularmente para os países amigos, particularmente os Estados Unidos, aos quais fornecíamos importantes elementos para a sua economia de guerra, em fase de crescimento. Inconformadas, a Alemanha e a Itália iniciaram a guerra submarina contra a nossa navegação comercial. A agressão teve início a 16 de fevereiro de 1942 com o afundamento do navio Buarque. Nele pereceram as primeiras vítimas brasileiras da Segunda Guerra Mundial Dois dias após foi afundado o Olinda, ao largo da costa oriental da América do Norte. De nada adiantaram nossos protestos diplomáticos: continuou a violência, sendo afundados outros navios, apesar de reafirmarmos nossos propósitos de neutralidade. Já havendo desrespeitado a zona de segurança marítima estabelecida na Conferência Interamericana do Panamá, em 1939, os submarinos do Eixo freqüentavam nossas águas territoriais. Entre 14 e 17 de agosto torpedearam e afundaram cinco navios mercantes brasileiros que se encontravam em legítima e pacífica navegação de cabotagem, sacrificando mais de 600 vidas. Os navios atingidos foram Araraquara, Aníbal Benévolo, Baependi, Itagiba e Arará.
A opinião pública, tendo à frente a juventude, exigiu imediato revide. O governo, no dia 22 do mesmo mês, reconheceu o estado de beligerância imposto pela Alemanha e pela Itália. No dia 31, o Decreto nº 10.358 declarou o estado de guerra em todo o território nacional. Seguiu-se o Decreto nº 10.451, de 16 de setembro de 1942, de mobilização geral.
Causas da participação efetiva na guerra
Caracterizou-se o compromisso brasileiro de cooperação integral com os EUA no caso de agressão ao continente pelos membros do Eixo. Com o agravamento do conflito e os sucessos iniciais de Rommel no norte da África, o governo norte-americano obteve autorização, em 1942, para construir bases aéreas em Belém, Natal e Recife, em condições de apoiarem o deslocamento de forças e de suprimentos para o norte da África. O desembarque aliado no norte da África, em novembro de 1942, atenuou sobremaneira as possibilidades de ação bélica terrestre e aérea contra a América; a eliminação de forças nazi-fascistas do continente africano, em maio do ano seguinte, afastou o perigo de intervenção do Eixo nesta parte do mundo. Na reunião da Comissão Mista de Defesa em Washington, em janeiro de 1943, o Almirante Spears, membro da delegação norte-americana, propôs a participação do Brasil na ofensiva que se articulava contra os países do Eixo, na Europa, visto haver desaparecido o temor de um ataque importante de forças adversas à costa nordestina brasileira. Embora o acordo de maio de 1942 prescrevesse um posicionamento defensivo para nossas forças, a delegação brasileira não pôde deixar de levar em consideração a sugestão apresentada, que caracterizava o apelo de um vizinho.
Apareceu, portanto, no curso das negociações oficiais, a idéia da participação efetiva do Brasil na guerra, com forças terrestres. Convém não esquecer que necessitávamos de prover a defesa de extensa faixa atlântica, para o que não possuíamos recursos militares adequados; segundo, eram precisos meios para desenvolver a indústria de base, a indústria bélica e a própria infra-estrutura dos transportes terrestres, pois as vias marítimas se encontravam sob constante ameaça dos submarinos inimigos. A delegação brasileira anteviu os benefícios que adviriam para o Brasil dessa efetiva participação, com o vantajoso crescimento de um de seus mais importantes objetivos nacionais permanentes – o prestígio internacional. Ela expôs o problema ao governo, sugerindo-lhe a organização de um corpo de exército "como base da contribuição à ofensiva de ultramar". Ulteriormente ventilou-se a possibilidade do envio de efetivos maiores. Uma comissão mista em abril de 1943, empreendeu estudos básicos para a organização de uma força expedicionária. No mês seguinte os componentes da comissão viajaram para o Brasil, onde continuaram os trabalhos sob a presidência de nosso Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, que em agosto seguinte se deslocou para os EUA, onde teve a oportunidade de novamente discutir o assunto. Dias antes (9 de agosto de 1943), fora expedida uma portaria que estruturava a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, 1ª DIE.
Causas de várias naturezas – de ordem pessoal umas, administrativas e até estratégicas outras – a que estava associada a rapidez com que marchavam na Europa os acontecimentos militares, fizeram com que apenas uma divisão do pretendido corpo de exército embarcasse para o exterior, acompanhada de diversos órgãos de apoio.
Modernização de nossas Forças Armadas
Na emergência quase apresentava era necessário rever métodos, processos, sistemas e técnicas, a fim de que pudéssemos atuar integrados ao 4º Corpo de Exército norte-americano. Era necessário uma alteração radical não só na formação mas também no aperfeiçoamento dos oficiais e da tropa, substituindo-se o ecletismo profissional pela técnica de especialização, fator primordial na transformação do Exército norte-americano na maior máquina militar de todos os tempos.
O Exército brasileiro não possuía material bélico moderno. A infantaria, ainda estruturada segundo a doutrina militar de 1914, tinha a instrução, a tática e o espírito voltados para a guerra estática que predominara de então a 1918. Não dispunha de meios motorizados nem compreendia o movimento como gerador da ação decisiva. A artilharia, além da carência de material adequado, estava com a técnica, os conceitos e os processos de tiro superados. A cavalaria, ainda hipomóvel, assemelhava-se muito à tão heróica quanto ineficiente cavalaria polonesa, dizimada no primeiro confronto com as modernas formações blindadas nazistas. As premências mais se agravavam no setor de comunicações e de apoio logístico, vitais na guerra moderna.
A declaração de guerra obrigava-nos, numa primeira fase, a prover a segurança de nossas fronteiras, principalmente a marítima, e a assegurar as necessidades vitais para a vida do país, sem esquecer a participação efetiva na segurança continental.
Defesa do litoral e de áreas importantes do interior
A análise da posição geográfica do Brasil mostra de imediato o valor estratégico de nosso litoral, particularmente do saliente nordestino, projetando-se sobre o Atlântico Sul, estreitando-o e dominando-o, a caminho da África. Ele era considerado relevante para as operações aeronavais ao sul do equador e fator decisivo para a conduta da guerra e, por esta razão, alvo principal de qualquer agressão das potências do Eixo. Com o domínio do norte da África pelos nazistas, tornou-se extremamente importante o fortalecimento das defesas do Nordeste brasileiro. Os meios de defesa de tão vasta região, abrangendo os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia e o Território de Fernando de Noronha, eram constituídos por um batalhão de caçadores em cada capital de Estado e de duas baterias de artilharia, uma em Recife e outra em Salvador. O governo criou uma zona de guerra (Decreto nº 10.490 A, de 25 de setembro de 1942) compreendendo cinco teatros de operações: A (Amazônico), NE (Nordeste-Este), CM (Centro-Meridional), R (Meridional) e M (Mato Grosso, parte do qual pertencia ao teatro de operações A). A partir de então foram sendo tomadas providências para colocar no teatro de operações NE (único que teve comando específico, exercido pelo General Leitão de Carvalho) meios defensivos; em julho, organizaram-se três Regimentos de Infantaria, 14º, 15º e 16º, com sede em Recife, João Pessoa e Natal, respectivamente. Aumentaram-se os efetivos na ilha de Fernando de Noronha e a defesa foi melhorada. Deslocaram-se novos elementos para a região, inclusive unidades de artilharia antiaérea e de costa. Natal suportava agora os efeitos e a movimentação da Base Aeronaval de Parnamirim, de uma brigada de infantaria e de tropas de apoio. Criou-se um sistema de vigilância da costa. Estruturou-se a defesa civil. Em tempo relativamente curto, a região nordestina, graças ao esforço conjugado de militares e civis, estava em condições de resistir, em melhores condições, a qualquer ataque do Eixo. O esquema defensivo estava nucleado no triângulo Natal – Fernando de Noronha – Recife.
Grupo de observadores militares
A nova grande-unidade exigia a criação de novos órgãos e a modificação de princípios básicos, desde muito enraizados em nosso meio militar. Para atenuar e até mesmo superar estes obstáculos, diversas medidas foram adotadas, destacando-se a organização de um Grupo de Observadores Militares. O Exército possuía alguns oficiais com certo conhecimento da doutrina adotada nos EUA pois haviam realizado cursos e estágios naquele país. Alguns dos chefes da FEB também já haviam estagiado em organizações militares do Exército norte-americano.
Além de contar com este grupo, ao qual caberia a tarefa inicial de estruturar a FEB, seria muito interessante que o comandante das tropas brasileiras visitasse as prováveis frentes de combate onde seria empregada a nossa tropa. Em dezembro de 1943, seguiu para o norte da África e para a Itália o Grupo de Observadores Militares, sob a chefia do General-de-Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, que regressou depois de algum tempo, tendo quatro observadores permanecido no teatro de operações do Mediterrâneo preparando a chegada da FEB.
Organização e adestramento
A 1ª DIE teria basicamente a seguinte constituição:
Comandante: um general-de-divisão.
- Estado-maior geral e estado-maior especial.
- Infantaria Divisionária: três regimentos de infantaria (1º, 6º e 11º RI).
- Artilharia Divisionária: quatro grupos de artilharia (I e II Grupos/1º Regimento de Obuses Auto-rebocado e I Grupo/2º RO Auto-rebocado e I Grupo/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta.
- Uma esquadrilha de ligação e observação.
- Um batalhão de engenharia (9º BE).
- Um batalhão de saúde (1º BS).
- Um esquadrão de reconhecimento mecanizado.
- Uma companhia de transmissões.
Elementos de tropa especial. A FEB operou na Itália com o efetivo aproximado de 25 mil homens, contando com quatro generais e 1.535 oficiais. Neste total não estão incluídos três oficiais da Força Aérea Brasileira que serviram na Esquadrilha de Ligação e Observação da 1ª DIE; 15 oficiais da ativa e da reserva destacados para a Justiça Militar da FEB; 25 capelães militares; 28 funcionários do Banco do Brasil e 67 enfermeiras.
Um outro problema que se apresentava era providenciar o uniforme adequado ao futuro teatro de operações, com condições climáticas bem diferentes do Brasil.
Era preciso também efetuar uma rigorosa seleção física de pessoal, para a escolha de homens aptos ao combate em clima e ambiente desconhecidos.
Quanto às modificações a introduzir no material das unidades de infantaria, além da motorização de muitos de seus elementos, alguns tipos de armamento como o fuzil Garand, o morteiro de 60 mm, o lança-rojão, a metralhadora leve 30, o canhão anticarro de 57 mm e o obus de 105 mm eram desconhecidos entre nós, como também os aparelhos de radiofonia, telefonia e radiotelegrafia empregados pelos norte-americanos. Na artilharia passava a haver uma Esquadrilha de Ligação e Observação equipada com aviões leves, o que melhorava a Eficiência do tiro, e a substituição de canhões de 75 mm pelos de 105 e 155 mm. Na engenharia houve transformações radicais devidas ao equipamento inteiramente novo, que exigia um conjunto de especialistas de difícil obtenção, como estenógrafos, químicos, operadores de tratores especiais, mineiros, eletricistas, rádio-operadores, operadores de compressores de ar e muitos outros. Na cavalaria, as inovações não foram pequenas, a começar pela mecanização dos meios. Para os serviços, em geral, o recrutamento se tornava difícil em face da quantidade de especialistas que se requeria para o preenchimento de claros.
A nova organização e os novos meios exigiam novos tipos de adestramento, de acordo com os métodos e processos norte-americanos, que só foram completamente compreendidos com o decorrer do tempo, em plena Itália, mesmo porque o material disponível para a instrução era insuficiente.
Na segunda quinzena de março de 1943, concluiu-se a concentração da 1ª DIE na Vila Militar, Rio de Janeiro, prosseguindo a preparação técnica e tática, bem como a convocação especial de artíficies e especialistas.
A orientação do comandante, General Mascarenhas de Morais (nomeado a 28 de dezembro de 1943) atribuía a maior importância à execução de tiro, marchas a pé e exercícios práticos, sendo freqüentes as visitas e as inspeções.
No decorrer do mês de abril iniciou-se a instrução de embarque e desembarque, a fim de tornar a tropa apta a realizar operações dessa natureza em navios e outros meios de transporte.
A 24 de maio de 1944, em homenagem a Tuiuti, toda a 1ª DIE desfilou pelas principais ruas da capital federal, recebendo entusiásticos aplausos da população.
Viagem para além-mar
Decidida a realização do embarque, procurou-se cercá-lo de todo o sigilo, a fim de evitar possíveis ataques de submarinos do Eixo, ainda ativos no Atlântico Sul.
A FEB fracionou-se em quatro escalões para o deslocamento até Nápoles, nas seguintes condições:
- 1º escalão: embarcou a 2 de julho de 1944, a bordo do General Mann, ao comando do General Euclides Zenóbio da Costa, chegando a 16 de julho; acompanhou-o o General Mascarenhas de Morais; a tropa era constituída do 6º Regimento de Infantaria, com 5.075 homens, inclusive 304 oficiais.
- 2º escalão: zarpou a 22 de setembro de 1944, em dois navios, o General Mann e o General Meighs, ao comando do General Osvaldo Cordeiro de Farias, aportando a 6 de outubro; a tropa era integrada pelo 1º e pelo 2º Regimentos de Infantaria, no total de 10.375 homens, sendo 686 oficiais.
- 3º escalão: partiu a 23 de novembro de 1944, pelo General Meighs, ao comando do Coronel Mário Travassos, e atingiu o porto italiano a 7 de dezembro; o efetivo era de 4.691 homens, destinados a substituições e preenchimento de claros.
- 4º escalão: deslocou-se a 8 de fevereiro de 1945, pelo General Meighs, ao comando do Tenente-Coronel Ibá Jobim Meireles, chegando a destino a 22 de fevereiro; o efetivo era de 5.082 homens que se destinavam ao recompletamento.
O transporte de 11 elementos de saúde, médicos e enfermeiras em particular, destinados a servir em hospitais norte-americanos, se fez por via aérea, na rota Rio – Natal – Dakar – Nápoles.
Dessa maneira, estava no continente europeu a primeira força latino-americana a combater em terras de ultramar.
Adestramento no teatro de operações
Em decorrência das entrevistas mantidas com autoridades militares estadunidenses para a concretização daqueles propósitos, o General Mascarenhas de Morais recebeu, em 26 de julho de 1944, autorização para o deslocamento da tropa brasileira para a região de Tarquínia, onde durante 15 dias realizou-se o recebimento do armamento e do equipamento que iriam ser utilizados.
A 5 de agosto, a 1ª DIE incorporou-se ao V Exército norte-americano, veterano da campanha no norte da África. A seguir, nossa tropa foi deslocada de Tarquinia para Vada, distante 25 quilômetros da frente de batalha do Arno, onde seria submetida a intenso treinamento pelo período de três semanas. A 1ª Companhia de Engenharia colocada à disposição do 4º Corpo de Exército construiu uma ponte sobre o rio no, como parte de seu programa de instrução. A operação terminou em 20 de agosto.
O último exercício foi realizado a 10 de setembro, presenciado pelo General Mark Clark, que o acompanhou com vivo interesse. No seu encerramento, depois de 36 horas, o general mostrou-se satisfeito com os resultados, declarando que a tropa estava apta para entrar em linha, notícia que foi recebida com justificado orgulho. Em conseqüência, organizou-se o Destacamento Força Expedicionária Brasileira, que atuaria na frente de Pisa, integrando as forças do corpo de exército comandado pelo General Willis D. Crittenberger. O Destacamento, sob o comando do General Zenóbio da Costa, era constituído pelo 6º Regimento de Infantaria, pelo 2º Grupo do 1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado, 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia e elementos de serviços, num total de 237 oficiais e 4.331 praças.
De acordo com as normas adotadas para as unidades sem experiência de combate, como era o caso da FEB, a 1ª DIE deveria ser lançada em uma frente pouco ativa, na qual receberia o batismo de fogo e adquiriria a experiência e confiança para operações de maior envergadura e responsabilidade.
Situação dos aliados na Itália
Nos primeiros dias de agosto de 1944, após a captura de Monte Cassino, a ocupação de Roma e a desocupação de Florença, o corte do rio Arno demarcava os limites geográficos das duas facções.
Antes da chegada dos brasileiros da Itália, os norte-americanos e os ingleses já haviam desembarcado no sul da península. O Marechal Albert Kesselring, que se encontrava no comando das forças alemãs, procurou impedir a progressão dos aliados para Nápoles, mas não conseguiu e então recuou para barrar o avanço aliado nas cercanias de Roma. No corte dos rios Volturno e Garigliano instalou o X Exército, deixando o XIV na defesa do litoral do mar Tirreno. A defesa no Volturno cedeu, o que não ocorreu no Garigliano, em virtude do forte sistema defensivo montado. Ao sentir que não podia sustentar por mais tempo a posse de Roma, Kesselring recuou mais para o norte. Os dois exércitos alemães instalaram-se na chamada Linha Gótica, desdobrando-se em uma frente de cerca de 280 quilômetros, que começava na região costeira do mar Tirreno e terminava na faixa litorânea do Adriático.
Com a transferência de sete divisões francesas e três norte-americanas para a França meridional para serem empenhadas na Operação Dragão, enfraqueceu-se o ímpeto ofensivo das forças aliadas na Itália. A chegada providencial da divisão brasileira não compensava o desfalque sofrido pelo 15º Grupo-de-Exércitos, a que pertencia o V Exército dos EUA, mas permitia ao seu comando continuar a pressão sobre o inimigo, para não lhe dar tréguas e para impedir que se fixasse solidamente nas montanhas dos Apeninos. Esta circunstância levou a 1ª DIE à frente de combate antes de ultimados a concentração e o adestramento.
Batismo de fogo
Os brasileiros substituíram a tropa americana que se achava em linha, disposta em frente extremamente larga, na noite de 15 de setembro. No dia 16, chegou ordem de avanço para nova linha balizada pelas alturas do Monte Communali – La Quiesa – Monte Acuto. Às 14:22 horas a artilharia abriu fogo pela primeira vez, nas encostas do Monte Bastione, situado em Massarosa. Com a investida sobre o Monte Nocchi, na manhã do dia 18, nossas forças apoderaram-se de Camaiore e no dia seguinte conseguiram cerrar sobre os postos avançados da famosa Linha Gótica. Após duras jornadas, foi atingido Monte Prano (26 de setembro). A estréia do Destacamento FEB foi auspiciosa, mormente por se tratar de uma tropa inexperiente que se defrontava com tropas veteranas dispostas em boas posições defensivas.
Na jornada de 27 de setembro, nossas patrulhas perderam o contato com o inimigo, que se furtava ao combate, protegido pelas escarpas de um terreno difícil. Inúmeras foram as cidades e vilas conquistadas no vale do Serchio, destacando-se Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Fornaci, Gallicano e Barga. A 11 de outubro, conquistadas as alturas que pelo sul dominam a vila de Gallicano, procurou o General Zenóbio consolidar as suas posições, enquanto, mediante o lançamento sistemático de patrulhas, colhia informações sobre o dispositivo e a força inimiga, tendo em vista atacar Castelnuovo di Garfagnana, ponto-chave de seu sistema defensivo na área.
Na manhã de 30 de outubro, apesar da lama e da chuva, o Destacamento FEB atingiu a linha de alturas do onde deveria lançar-se sobre a importante posição alemã.
Em virtude da importância vital que representava aquela localidade, o inimigo fazia um grande esforço para deter os ataques e desfechava invariavelmente violentos contra-ataques. Nossas tropas foram surpreendidas e recuaram para a zona de reunião, pagando caro a imprevidência de subestimar o valor combativo do adversário; era o primeiro revés na campanha da Itália.
Não obstante, de 16 de setembro a 31 de outubro, a FEB progrediu 40 quilômetros, capturou 208 prisioneiros, conquistou algumas cidades e uma fábrica de acessórios para aviões, sofrendo 290 baixas, entre mortos, feridos, acidentados e desaparecidos.
Conferência do Passo de Futa
Primeiro ataque a Monte Castelo
Em cumprimento à ordem do 4º Corpo de Exército, o General Mascarenhas de Morais assumiu no dia 1º de novembro de 1944, com a chegada das demais unidades. O controle da totalidade de seus meios, inclusive das operações que se processavam no vale do Serchio. Em substituição a algumas unidades norte-americanas que atuavam no vale do Reno, nossas tropas, ao lado de forças mecanizadas estadunidenses, concorreram para o desafogo da situação naquela frente. Coube à 1ª DIE um importante setor da frente que englobava a estrada nº 64, ao norte de Porretta Terme, e que aos poucos se ampliava com novas missões recebidas. Era intenção do comando norte-americano rocar forças dessa para outra frente de combate. Nos últimos dias de novembro as posições brasileiras tinham mais de 15 quilômetros e eram dominadas pelas alturas em que o inimigo se firmara. Do alto das elevações mais de uma divisão alemã tinha comandamento de vistas sobre nossas posições, lá embaixo.
Entre as elevações dominadas pelos alemães, uma se destacava pela importância tática: Monte Castelo. Se não fosse conquistado, seria impossível às forças do 4º Corpo de Exército prosseguirem em direção a Bolonha, objetivo do V Exército, antes de caírem as primeiras nevadas. Cabia aos brasileiros, naquele fim de outono e durante todo o inverno seguinte, a responsabilidade de defender o setor talvez mais ingrato de toda a frente apenina. As primeiras operações no vale do Reno resumiram-se a quatro ataques mal sucedidos contra o baluarte de Monte Castelo. O primeiro e o segundo, realizados a 24 e 25 de novembro, sob a direção e responsabilidade do grupamento tático da 45ª Divisão de Infantaria norte-americana – Task Force 45 – que recebeu da 1ª DIE o reforço de um Batalhão de Engenharia e do Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, contando também com apoio de artilharia, não obtiveram sucesso, sem consolidação das posições conquistadas.
As duas malogradas tentativas, além de concorrerem para a manutenção do elevado moral do inimigo, serviram para alertá-lo quanto ao firme propósito aliado de conquistar aquela posição. A Task Force 45, entretanto, apossara-se de Monte Belvedere, região importante para as ações sobre Monte Castelo. O terceiro ataque, planejado para o dia 29 de novembro, apenas quatro dias depois dos primeiros insucessos, seria de total responsabilidade da 1ª DIE.
Organizou-se para esse fim um grupamento constituído pelos I/1º RI (Batalhão Uzeda), III/1º RI (Batalhão Cândido) e III/6º RI (Batalhão Silvino), sob o comando do General Zenóbio da Costa, que teria o apoio de dois grupos de artilharia brasileiros e possivelmente de um grupo de artilharia do 4º Corpo de Exército.
Na noite de 28, véspera do ataque, surgiu um imprevisto. Em fulminante contra-ataque, as tropas da 232ª Divisão de Infantaria alemã expulsaram os norte-americanos de Monte Belvedere, conquistado quatro dias antes, deixando assim descoberto o flanco esquerdo da tropa brasileira. O comando da 1ª DIE pensou em adiar o ataque, na esperança de reconquistar Belvedere. Concluiu-se que era desaconselhável, pois a tropa já se encontrava nas posições de ataque. Às 7 horas do dia 29 iniciou-se o ataque. As condições de tempo eram adversas; chovia e o apoio aéreo tornou-se inviável; a grande quantidade de lama reduziu ao mínimo a participação dos carros-de-combate. Apesar de tudo, até o meio-dia tudo parecia indicar um bom êxito para a operação, porquanto o Batalhão Uzeda progredia regularmente, embora possuísse alguns elementos detidos, e o Cândido já estava bem próximo do objetivo. Mas o contra-ataque alemão não tardou e ao fim da tarde os dois batalhões brasileiros voltaram às posições iniciais, com 190 baixas.
A 5 de dezembro, chegou ao posto de comando avançado da 1ª DlE em Porreta a determinação do 4º Corpo de Exército de que a 1ª DIE deveria conquistar e manter a crista de Monte della Torraccia-Monte Belvedere. Isto significava que Monte Castelo, localizado no centro daquela linha de alturas, seria mais uma vez o objetivo principal da próxima ofensiva, cujo início o General Mascarenhas de Morais fixara para o dia 12. Às 6:30 horas desse dia ocorreu o quarto ataque a Monte Castelo. A luta não demorou mais de cinco horas. Voltaram a se conjurar os mesmo fatores adversos das tentativas anteriores; a falta de visibilidade impedia o emprego da Força Aérea e a chuva persistente tornou o terreno um lamaçal entre Gaggio Montano e Castelo, impedindo a progressão de carros. Mesmo assim as forças brasileiras conseguiram alguns sucessos iniciais.
No flanco esquerdo, os brasileiros conquistaram Zolfo, a apenas algumas centenas de metros do cume e, ao centro, chegaram a Abetaia, onde foram detidos por cerrada concentração de fogos de morteiro.
Entre as causas de nossas dificuldades em Monte Castelo destaca-se a falta de adestramento da tropa, levada prematuramente à frente de combate por força dos acontecimentos. Esse ataque mostrou a necessidade de modificação dos planos para a conquista do objetivo. Era evidente que Monte Castelo não poderia ser arrebatado aos alemães apenas com o concurso de algumas unidades. Impunha-se o empenho ofensivo de toda a Divisão, particularmente quando se verificou que o inimigo mantinha aquela posição a todo custo, pois se preocupara em reforçar e substituir as unidades que a defendiam por tropas descansadas. Monte Castelo, por sua importância, tornou-se a maior disputa entre brasileiros e alemães durante toda nossa atuação na campanha da Itália.
Operar numa frente de 15 quilômetros francamente dominada pelo adversário e atacar um objetivo do valor de Monte Castelo com a ameaça de flanco de Belvedere, eram encargos que exorbitavam da capacidade de uma divisão. Esta opinião, defendida com firmeza pelo General Mascarenhas de Morais perante o comando do 4º Corpo de Exército, acabou por prevalecer, ficando a divisão brasileira temporariamente dispensada de atividades ofensivas.
Na segunda quinzena de dezembro, caiu sensivelmente a temperatura, chegando a atingir 18 graus centígrados abaixo de zero. Era o inverno implacável que se aproximava, trazendo a estabilização para toda a frente italiana. Seria a oportunidade de que se valeria o comando brasileiro para proceder aos reajustamentos necessários.
Oriundo de país tropical, habitando em geral em regiões planas e de temperaturas amenas, o soldado brasileiro, apesar disso, adaptou-se rapidamente ao rude inverno dos Apeninos.
Durante o período de estabilidade, cerca de 70 dias, suportou a inclemência do tempo, guarnecendo a frente atribuída à tropa brasileira.
Sua capacidade inventiva e de adaptação transformaram-no logo em um combatente hábil e temido pelo adversário. Em contato com o inimigo, em tempo curto, aprimorou técnicas e apresentou alto grau de agressividade, impondo-se à justa admiração de seus camaradas aliados.
O Serviço Especial esforçou-se sempre em montar e executar planos que possibilitassem à tropa repouso, recuperação e distração, particularmente em Roma e Florença.
Cada um dos integrantes da 1ª DIE levou o seu equipamento individual e o fardamento tipo FEB, de brim e de lã. Na Itália, receberam artigos diversos que se tornaram indispensáveis para suportar o frio e a lama. Um dos problemas foi conseguir calçados norte-americanos que se coadunassem com os números dos nossos militares. A FEB empregou civis italianos para a confecção de roupas para o inverno e manteve uma fábrica de sabão.
O deslocamento fazia-se a pé, em composição ferroviária ou em caminhões dos EUA. A Companhia de Manutenção teve papel destacado, transportando material do porto para as frentes de combate. Rações, material de intendência, gasolina, viaturas e armamento constituíam as principais cargas a serem transportadas. Eram tantas as viaturas em deslocamento que se fez necessário um controle do trânsito pelo Pelotão de Polícia. Além disso, as estradas tiveram de ser mantidas em condição de trânsito, tarefa do Serviço de Engenharia. A Base ficou instalada, inicialmente, na região de Nápoles (Tenente-Coronel Sebastião A, de Carvalho), avançando, depois, para Livorno e Florença.
A tropa consumia três tipos de ração: a K, contida em três pequenas caixas, tendo, cada uma, uma lata de queijo, patê ou sopa desidratada, biscoitos, limonada ou café solúvel, chocolate, cigarros, fósforos, um tablete de Halazone, para purificação da água, uma colher e um abridor de latas; a C, contida em seis pequenas latas, três com alimento à base de carnes e cereais e três com artigos variados; e a B, consumida diariamente pela tropa, compreendendo três refeições: pela manhã, café, leite, pão, geléia e extrato de tomate; e o almoço e jantar, com carne ou galinha, ovos, frutas, pão, café, cigarros, fósforos. Por causa do frio distribuíram-se cápsulas de vitaminas.
O Serviço de Transmissões instalou uma rede telefônica, permitindo ligações para qualquer unidade, inclusive com órgãos brasileiros e norte-americanos. A Companhia de Manutenção, estacionada em Pistóia, reparava viaturas e armas, além de fornecer a munição necessária ao combate. O preenchimento de claros, ocasionados pelas mais diversas baixas, efetuava-se requisitando homens no Depósito de Pessoal, localizado em Stafole, com um efetivo de 10 mil homens.
Depois da tomada de Monte Castelo, a tropa brasileira continuou o avanço rumo norte, aumentando a necessidade de transportes. A própria artilharia chegou a utilizar as suas viaturas no transporte da infantaria, apelidando essa atividade de "Empresa de Mudança Rosa de Ouro".
O nosso Serviço de Saúde, dirigido pelo Coronel Dr. Emmanuel Marques Porto, cumpriu muito bem a sua tarefa. Providenciou vacinas para todo o efetivo, conseguindo um satisfatório estado sanitário da tropa. Evacuou feridos e doentes com seus próprios meios, conduzindo-os para o 32º Hospital, os mais graves, e para o 16º Hospital de Evacuação, em Pistóia. No período de novembro de 1944 a fevereiro de 1945, atendeu a 884 feridos, 3.316 doentes, 406 acidentados, além de terem passado pelo posto de triagem 3 aliados, 2 feridos inimigos e 174 civis italianos. É importante ressaltar que o elevado número de doentes resultou por afecções nas vias respiratórias: os nossos homens não estavam acostumados ao frio intenso das elevações dos Apeninos. Contra a malária empregaram-se mosquiteiros e o DDT, além de repelentes. A higiene pessoal deixou a desejar por causa das dificuldades de instalações de banho. Alguns casos de doenças venéreas ocorreram. O "pé de trincheira" foi vencido engenhosamente pelo nosso soldado, que colocava no galochão jornais, panos de lã, penas de galinha e feno seco. O Serviço de Saúde contou, também, com dedicadas enfermeiras. O Quadro, criado pelo Decreto nº 6.097, de 15 de dezembro de 1943, destinava-se à formação de enfermeiras militares. Um grupo de voluntárias recebeu instrução no Rio de Janeiro e, após passarem em testes, as classificadas foram convocadas para o serviço ativo do Exército. Em número de 67, seguiram, via aérea, para a Itália, partindo no dia 7 de julho de 1944 do Rio de Janeiro, chegando sete dias depois em Nápoles. Ficaram como enfermeiras de 3ª classe com soldo de 2º sargento, contrastando com as enfermeiras norte-americanas, que tinham posto de segundo tenente a coronel. O General Mascarenhas de Morais, com alto tirocínio, promoveu-as a segundo tenente, permanecendo, contudo, com o soldo de 2º sargento. As nossas enfermeiras atuaram nos diversos hospitais da Itália: o Geral, em Nápoles, o de Base (o 7th Station Hospital), em Livorno, os de Evacuação (o 38th, o 16th e o 15th), o Hospital de Campo, próximo da linha de frente, etc.
Os corpos dos mortos em ação foram levados para Pistóia e enterrados nessa localidade.
O Serviço Religioso sempre esteve presente, integrado por um capelão-chefe, Padre João Pheeney de Camargo e Silva, 24 sacerdotes católicos e 2 evangélicos. A todo o momento procuraram levar aos homens o estímulo e a palavra da fé. Destacou-se o Padre Antônio Alvares da Silva, o Frei Orlando, falecido acidentalmente quando se dirigia à região de Riola.
O Serviço Postal encarregou-se de entregar a correspondência que do Brasil familiares e amigos dos pracinhas escreviam. As cartas e encomendas eram transportadas pelos norte-americanos da Base de Parnamirim (Natal) para Livorno e, desta cidade, para as várias sub-estações postais. Os febianos receberam 232.775 cartas e enviaram 335·472.
Todas essas providências, paralelamente ao adestramento a que vinha se submetendo o expedicionário na zona de combate ou em Stafoli, onde ficava nosso Depósito de Pessoal, refletiam o intuito do comando brasileiro de transformar a Divisão em grande unidade, à altura das responsabilidades que se avizinhavam.
À medida que se atenuava o inverno, iniciavam-se os preparativos para a ofensiva que tão brilhantes vitórias prodigalizaria à tropa brasileira.
Plano Encore
Em fevereiro de 1945, ainda perdurava um enorme saliente no dispositivo nazifascista, nas montanhas dos Apeninos, exatamente na área de responsabilidade do 4º Corpo-de-Exército, no setor em que vinha atuando a 1ª DIE. Enquanto o XV Exército alemão ocupasse as alturas que separam os cursos do Marano e Aneva do Reno e Panaro, a estrada 64, que ligava Porreta Terme a Bolonha, ficaria impossibilitada de uso para abastecimento de cinco das 10 divisões do V Exército americano. Em conseqüência, foi atribuída ao 4º Corpo de Exército, ao qual estavam incorporadas a 10ª Divisão de Montanha e a DIE, a realização desse movimento ofensivo com a finalidade de eliminar ou reduzir o saliente, mediante a conquista de alturas situadas naqueles divisores de águas.
Em conseqüência, as duas divisões deveriam, em final de operação, cerrar sobre a última posição defensiva inimiga, a famosa Linha Gengis Khan. A ofensiva do 4º Corpo realizar-se-ia na segunda quinzena de fevereiro, com a participação da 10ª Divisão de Montanha e da 1ª DIE. Elaborou-se então o Plano Encore, cujo objetivo era expulsar o inimigo do Reno e em seguida persegui-lo através do vale do Panaro.
A primeira parte do plano prescrevia à 1ª DIE, em síntese, o seguinte:
· 1ª fase: conquista de Monte Castelo, em íntima ligação com a 10ª Divisão de Montanha, que atacaria Belvedere e Monte della Torraccia;
· 2ª fase: limpeza do vale do Marano e conquista de Santa Maria Villiana;
· 3ª fase: conquista de Torre di Nerone e Castelnuovo.
A 16 de fevereiro, houve uma reunião para tratar dos pormenores relacionados com a primeira parte do plano. Além do General Willis D. Crittenberger, estavam presentes os generais Mascarenhas, George Hayes e William Grane, respectivamente comandantes da 1ª DIE, 10ª Divisão de Montanha e da artilharia do 4º Corpo de Exército.
A missão dos brasileiros era mais uma vez desalojar os alemães de Monte Castelo. Prevaleceria o ponto de vista defendido pelo General Mascarenhas, de que a posição alemã no íngreme espinhaço apenínico só poderia ser conquistada com o emprego da DIE como um todo.
Ataque final
A manobra da 1ª DIE comportava:
· um ataque principal atribuído ao 1º Regimento de Infantaria (Coronel Aguinaldo Caiado de Castro) contra Monte Castelo, e;
· um ataque secundário e limitado, a cargo do II/11º Regimento de Infantaria (Batalhão Ramagem).
Às 5:30 horas do dia 21 foi desencadeado o ataque com uma ação frontal do Batalhão Franklin (III/1º RI) e uma ação flanqueante do Batalhão Uzeda (I/1º RI). O Batalhão Syseno (II/1º RI) ficou como reserva do Regimento Sampaio (1º RI).
Como reserva da 1ª DIE foram mantidos o 11º Regimento de Infantaria (menos o Batalhão Ramagem) e o Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado (Capitão Plínio Pitaluga). Ao 9º Batalhão de Engenharia (Coronel José Machado Lopes) coube a limpeza dos campos de minas e a conservação de estradas, tarefas indispensáveis ao sucesso da operação.
Previra-se no Plano Encore a simultaneidade no ritmo de progressão dos ataques norte-americanos e de brasileiros a Monte della Torraccia e Monte Castelo, respectivamente. Na realidade, porém, às 17:30 horas, quando os primeiros elementos do Regimento Sampaio atingiram o topo de Monte Castelo os soldados da 10ª Divisão de Montanha ainda não haviam quebrado a resistência alemã. Além de nossa perfeita coordenação na progressão dos escalões de ataque, houve também uma eficiente preparação de fogos de artilharia divisionária, que era comandada pelo General Cordeiro de Farias, tendo como comandantes de grupo os coronéis Waldemar Levy Cardoso, Geraldo da Camino, José de Souza Carvalho e Hugo Panasco Alvim.
O descontrole nervoso dos primeiros alemães capturados por nossos soldados mostrava o que para eles significara a implacável concentração de fogos sobre as posi&c
Fonte/Créditos: EXÉRCITO BRASILEIRO, EB, BRASIL NA SEGUNDA GUERRA,
Créditos (Imagem de capa): Domínio Público
Publicado por:
Cel. Navarro
Coluna dedicada aos amantes do militarismo e assuntos relacionados ao gênero.
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